“Foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições, como ocorreu em vários países do mundo”, disse o presidente do STF Luiz Roberto Barroso.
Na sequência, o decano do tribunal, Gilmar Mendes, sem citar diretamente o nome do deputado licenciado, mandou recados a Eduardo Bolsonaro.
“Não é segredo para ninguém que os ataques à nossa soberania foram estimulados por radicais inconformados com a derrota do seu grupo político nas últimas eleições presidenciais. Entre eles, um deputado que, na linha de frente do entreguismo, fugiu do país para covardemente difundir vozes contra o Supremo Tribunal Federal num verdadeiro ato de lesa-pátria. Este
STF não se dobra a intimidações”, disse o ministro.
“É uma verdadeira traição à pátria. Uma traição covarde e traiçoeira. Estamos verificando diversas condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais anteriormente vista em nosso país, age de maneira covarde e traiçoeira. Esses brasileiros pseudopatriotas encontram-se foragidos e escondidos fora do território nacional. Acham que estão lidando com pessoas da laia deles. Acham que estão lidando também com milicianos, mas não estão. Estão lidando com ministros da Suprema Corte brasileira”, disse.
Moraes também criticou quem articula nos Estados Unidos contra a economia brasileira.
“Assumindo autoria de verdadeira intermediação com o governo estrangeiro para imposição de medidas econômicas contra o próprio país a consequência já se iniciou, um grandioso prejuízo aos nossos empresários e a possibilidade de perda de milhares e milhares de empregos de brasileiros e brasileiras”, completou.
Processo de tentativa de golpe
Moraes afirmou ainda que apesar ada pressão de Trump, o processo judicial da denúncia da tentativa de golpe vai seguir “inalterado”. E mais: avisou que vai “ignorar” as sanções do governo Trump, com base na Lei Magnitsky.
Com a punição, Moraes está proibido de fazer negócios com o governo ou empresas dos Estados Unidos.
“O STF irá ignorar as sanções aplicadas. Esse relator vai ignorar as sanções que foram aplicadas e continuar trabalhando como vem fazendo, tanto no plenário quanto na Primeira Turma, sempre de forma colegiada, diferentemente das mentiras, das inverdades, e da desinformação”, afirmou o ministro.
Na noite desta quinta-feira (31), o presidente Lula promoveu um jantar no Palácio da Alvorada em um gesto de apoio ao STF e Alexandre de Moraes. Só seis dos 11 ministros do Supremo compareceram. Moraes pediu ao governo para não recorrer à Justiça americana contra a sanção.
A expectativa é que o presidente Lula converse na semana que vem com o comando do congresso, Hugo Motta, pela Câmara, e Davi Alcolumbre, pelo Senado. A pedido do presidente do STF, uma resposta conjunta dos três poderes está sendo discutida.