Brasil: potência em campo, mas invisível nas buscas
A apatia digital contrasta com o histórico da seleção. Desde a primeira edição, em 1991, o Brasil venceu oito das nove edições da Copa América. Só perdeu uma vez, em 2006, para a Argentina. Além disso, metade das maiores artilheiras da história da competição vestiram a camisa amarela, sendo que três delas balançaram a rede mais de 10 vezes cada.
- Roseli (1998): com 16 gols
- Sissi (1995): com 12 gols
- Cristiane (2006): 12 gols
Mesmo assim, o engajamento digital e nas arquibancadas permanece abaixo do esperado, refletindo uma baixa valorização do futebol feminino na América do Sul.
Europa joga em outro nível
No velho continente a situação é outra. A Eurocopa Feminina, cuja final ocorre neste fim de semana entre Inglaterra e Espanha, já bateu recordes de público. Mais de 400 mil torcedores acompanharam a fase de grupos nos estádios. Um número inédito.
Na internet, o contraste também é grande: o interesse dos europeus pela Eurocopa foi o dobro do registrado entre sul-americanos pela Copa América. A Alemanha, maior campeã da Euro, buscou quase 20 vezes mais informações sobre o seu torneio do que o Brasil sobre o nosso. Uma goleada digital!
Estrutura precária e protestos em campo
A diferença entre os torneios não está só nas buscas. A estrutura para os jogos na América do Sul também tem sido alvo de críticas.
Nesta edição da Copa América, a CONMEBOL chegou a proibir o aquecimento das jogadoras no gramado, alegando a necessidade de preservação do campo, já que os estádio teriam jogadas duplas, ou seja, iam receber dois jogos por dia na fase de grupos com um intervalo curto de tempo entre eles.
A decisão gerou reação da Seleção Brasileira. Marta, Ary Borges e o técnico Arthur Elias falaram sobre as condições inadequadas, como o cheiro de tinta fresca no vestiário e a falta de espaço adequado para preparação.
Junto com os comentários, imagens do treino circularam nas redes sociais, geraram pressão e fizeram a entidade voltar atrás. O treino no gramado foi liberado 15 minutos antes da partida. Vale lembrar que é por meio da Copa América que as seleções garantem vagas
Copa do Mundo no Brasil
Nem tudo são espinhos, apesar do cenário desafiador. Na análise geral de interesse por futebol feminino, sem qualquer recorte de competição, o Brasil ocupa hoje a 4ª posição no ranking mundial.
Em 2027, pela primeira vez, o país será sede da Copa do Mundo. Ou seja, ainda dá tempo de virar esse jogo de interesse dentro e fora de campo.