Eles não são raros por existir em pequenas quantidades, mas sim pela sua complexidade de extração e manipulação. É difícil separar esses elementos de outros materiais, o que exige investimento, assim como tirar petróleo do fundo do mar.
“A própria tecnologia para separação das terras raras, é muito crítica. Não são todos os países que possuem ou que conseguiram desenvolver essas tecnologias. Nós temos grandes recursos, mas nós não sabemos se eles são economicamente viáveis para exploração. Então, aí já tem uma limitação própria que a gente precisaria analisar através de pesquisas, de prospecção, a quantidade real que nós temos”, disse Elaine Santos, mestre em energia pela UFABC.
Brasil é o segundo maior portador de minerais terras raras no mundo
Dos elementos considerados “terras raras”, um dos principais encontrados por aqui é o neodímio. Ele é fundamental para a fabricação de imãs usados em turbinas eólicas, e para o funcionamento de carros elétricos.
“O motor, a partir desses imãs, faz com que aconteça o torque e o carro ande”, disse Andre Nunis, pesquisador do IPT.
Para se ter ideia do potencial brasileiro, a China detém 49% das terras raras do mundo, na sequência vem o Brasil, com 23%. Depois vem Índia e Austrália, com muito menos.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, os chineses são responsáveis por 61% da produção mundial. O Brasil até extrai terra rara, mas não produz em grande escala.
Um projeto em Minas Gerais está desenvolvendo uma cadeia nacional de produção de imãs feitos de um mineral classificado como terra-rara.
Em meio a tarifaço, EUA querem acesso a minerais críticos do Brasil
Até então muito dependentes da China para obter minerais críticos, os Estados Unidos estão agora de olho nas reservas brasileiras desses elementos, fundamentais para setores ligados à transição energética, defesa e produção de semicondutores.
O encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, esteve reunido nessa quinta-feira (24/07) com representantes do setor de mineração, incluindo empresários, membros do governo e do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), para sugerir um plano entre os dois países para a exploração desses minerais.
O Brasil tem grandes reservas de nióbio, grafite, terras raras e níquel, além da presença de lítio, cobre e cobalto – considerados extremamente estratégicos para os rumos da economia global.
Participantes da reunião afirmaram que não interpretaram as falas do encarregado norte-americano como uma tentativa de condicionar uma negociação para um alívio das tarifas ao acesso aos minerais. Porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rapidamente afirmou que não permitirá interferência estrangeira em como o Brasil lida com a exploração de minerais. “Aqui ninguém põe a mão”, disse Lula na quinta-feira.