Foram implantados gradis de proteção ao redor do Centro
Foto/PMC
Resumo da notícia
Justiça interrompe instalação de grades no Centro de Convivência Cultural de Campinas, exigindo manifestação do Condephaat Estadual sobre a intervenção em área tombada.
Cercamento do centro cultural provoca controvérsia, com críticas da ASBEA-SP que considera a medida um retrocesso urbanístico e sugere alternativas como programação cultural e melhor iluminação.
Prefeitura de Campinas defende a instalação das grades por razões de segurança e manutenção do patrimônio, afirmando que o espaço continua acessível ao público em horários determinados.
Este resumo foi gerado por inteligência artificial e cuidadosamente revisado por jornalistas antes de ser publicado.
A Justiça determinou que o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado de São Paulo se manifeste sobre a instalação de grades de aço ao redor do Centro de Convivência Cultural de Campinas (SP).
A decisão foi assinada nesta quarta-feira (23) pelo juiz Mauro Iuji Fukumoto, que também suspendeu a obra de instalação de grades em caráter liminar. No entanto, segundo a prefeitura, o cercamento já foi concluído no dia 4 de julho.
O juiz considerou a ausência de autorização prévia do Condephaat para a intervenção – exigida por lei em áreas tombadas – e destacou que a Praça Imprensa Fluminense e todo o entorno está incluído na proteção patrimonial, não apenas o edifício. Até o momento, segundo os autos, não consta pedido formal para a instalação do gradil.
Repercussão e críticas
O cercamento gerou polêmica nas redes sociais e foi criticado por entidades como a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura de São Paulo (ASBEA-SP). Para a associação, a medida representa um “retrocesso urbanístico” e vai contra a proposta original do arquiteto Fábio Penteado, que concebeu o espaço como aberto, democrático e voltado à convivência cultural.
A ASBEA-SP argumenta que o fechamento de espaços públicos compromete a fluidez urbana, enfraquece a segurança a longo prazo e desvaloriza a função social do espaço público. Em nota, a entidade propôs medidas alternativas como:
- Programação cultural contínua, inclusive em dias úteis;
- Iluminação pública adequada;
- Monitoramento e atuação da Guarda Municipal.
Segundo os arquitetos, essas ações seriam mais eficazes para a conservação e segurança do local, enquanto o gradil é visto como uma solução paliativa que afasta a população e transfere para o cidadão o ônus da falta de gestão pública.
O que diz a prefeitura?
A reportagem solicitou novo posicionamento da Prefeitura de Campinas sobre as críticas, mas ainda não obteve resposta.
Em nota anterior, a administração municipal afirmou que os gradis foram instalados após aprovação do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc).
Ainda, justifica que a medida foi tomada para garantir a segurança do patrimônio, prevenir pichações, fogueiras e uso de entorpecentes, e ainda assegurar a cobertura técnica da empresa responsável pela obra durante o período de garantia.
A prefeitura garante que o espaço está aberto ao público diariamente, das 8h às 19h.