A chegada de Hill a Jordan
Damon Hill venceu o campeonato mundial em 1996 pela Williams, porém, apesar do feito, o inglês não ficou na equipe de Frank Williams e se mudou para a Arrows no ano seguinte. Em 98, Eddie Jordan trouxe o filho de Graham Hill para ser o companheiro de Half Schumacher.
Com a chagada a nova “casa”, Hill comentou sobre a mudança de mentalidade que teve ao sair de uma equipe na ponta do pelotão para uma no meio dele.
“Eles não estavam no topo da F1, eles sempre foram valentes nas tentativas, mas isso não é bom o suficiente. E acho que foi isso que percebi, tendo vindo da Williams, uma equipe que estava acostumada a vencer. Eles se viam como estando na frente, e era isso, a mentalidade que precisava mudar com Jordan”, comentou.
Depois de um início de temporada sem pontos, a equipe começou a mostrar evolução com dois quartos lugares consecutivos na Alemanha e Hungria. Em Spa, Hill largava na terceira posição e viu ali uma chance real de vitória, mesmo com o tempo instável e a ameaça constante da chuva.
Largada caótica e um acidente com 13 carros
Mika Häkkinen era o dono da pole position com David Coulthard em segundo. Logo na largada, Jacques Villeneuve, da Williams, conseguiu a segunda posição, enquanto Hill teve uma largada difícil e caiu para trás no pelotão.
Porém, 100 metros depois da primeira curva, David Coulthard perdeu o controle, rodou e causou uma batida em cadeia que envolveu 13 carros: “Eu estava atrás do DC e vi quando ele bateu num desnível, perdeu o carro e começou a girar. Pensei rápido, mirei onde ele ia bater porque sabia que o carro ia ricochetear e consegui passar. Atrás de mim, foi o caos.”
A corrida foi imediatamente interrompida com bandeira vermelha. Por conta do regulamento da época, quem tivesse carro reserva pôde alinhar para uma nova largada.
Enquanto a pista era limpa, Hill permaneceu dentro do carro por cerca de uma hora, recusando-se a sair para não perder o foco. “Eu estava completamente concentrado. Se saísse, teria que me reconectar mentalmente. Preferi ficar e manter o estado de alerta.”
Schumacher incontrolável após batida com Coulthard
Na relargada, Hill assumiu a ponta, mas foi ultrapassado por Schumacher na sétima volta. Com Häkkinen fora após um incidente, tudo indicava que o alemão da Ferrari venceria com folga. Mas, ao tentar dar uma volta em Coulthard, Schumacher colidiu com a traseira da McLaren e abandonou a prova.
O episódio provocou uma das cenas mais icônicas da Fórmula 1, com o alemão furioso indo até os boxes da McLaren tirar satisfação com o escocês. Na pista, Hill retomava a liderança e via seu companheiro Ralf Schumacher subir para segundo.
Primeira vitória da Jordan, última vitória de Hill
Com a Jordan ocupando as duas primeiras posições, Hill assumiu a responsabilidade e sugeriu à equipe que os pilotos não disputassem as posições para garantir a vitória. “Perguntei ao Eddie (Jordan): ‘O que vamos fazer?’ E disseram ao Ralf para não me atacar.”
Ainda assim, Hill sabia que Half Schumacher poderia ignorar a ordem e tentar a ultrapassagem. Algo que o inglês faria, no lugar do alemão.
“Eu pensava: se fosse eu, não aceitaria o segundo lugar. Então continuei acelerando como se estivesse sendo pressionado. Foi uma corrida intensa até a última volta”, comentou.
A decisão se manteve e, após 44 voltas, a Jordan celebrou seu primeiro triunfo com uma dobradinha Hill à frente de Ralf Schumacher. Aos 38 anos, o inglês já pensava no futuro e na possibilidade de encerrar sua carreira. A vitória em Spa foi sua 22ª e última na F1.
“Tentei pular no pódio, mas estava tanto tempo sentado que acabei travando as costas! Tinha 38 anos e comecei a pensar: ‘Sabe de uma coisa? Se eu tiver que fazer isso de novo, não tenho certeza se conseguiria. Foi importante para mim, mostrou que eu ainda podia vencer. Ganhei com outra equipe, e isso me deu orgulho”, afirmou.
Hill relembra Eddie Jordan
“Agora é muito triste pensar que o Eddie não estará aqui. E foi uma corrida tão importante, e também importante em muitos aspectos, porque foi uma corrida especial para mim e imensamente especial para o Eddie e toda a equipe Jordan”, comentou.
“Sendo uma personalidade como essa, ele era um rebelde. Ele não seguia as regras como os antigos diretores de equipe faziam. Ele brincava com as coisas, era empolgante e divertido, e acho que isso era bom para o esporte, então foi muito divertido estar com o Eddie naquele momento”, finalizou. ,